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Mulher, 43 anos, com “queimação intensa” retroesternal

02 Fevereiro de 2018

Mulher, 43 anos, sendo atendida no pronto-socorro com o relato de acordar às 03h00 devido a “queimação intensa” retroesternal , acompanhada de náuseas e repetidos episódios de vômitos, com duração próxima de meia hora. A paciente é obesa (IMC: 36), sedentária, tabagista (23 anos/maço). Também é hipertensa (usa atenolol 50mg/dia + Hidroclorotiazida 25 mg/dia). Nega diabetes mellitus e dislipidemia. Foi levada pelos familiares ao hospital e estava assintomática quando foi avaliada pelo médico de plantão.

1) Caso estivesse de plantão, qual o seu diagnóstico e conduta clínica?

2) O que se vê no eletrocardiograma?

Discussão clínico-eletrocardiográfica

Trata-se de síndrome coronariana aguda.

Embora a paciente não se queixasse de dor no peito (angina de peito), ela apresentou um sintoma muito comum nos eventos agudos de isquemia miocárdica, que é a queimação no peito (que, por vezes, confunde o médico com os diagnósticos de gastrite, refluxogastroesofágico e litíase biliar).

Devido aos fatores de risco para arteriopatias que ela apresenta (hipertensão arterial, obesidade e fumo), é imperativa a realização imediata do eletrocardiograma. Este mostrou isquemia subepicárdica nas paredes inferior e apicolateral, fechando o diagnóstico de síndrome coronariana aguda. A dosagem da troponina nos informará se estamos diante de angina instável ou de IAM sem supradesnivelamento do segmento S-T.

Você deve interná-la em unidade coronariana, iniciar a medicação anti-isquêmica padrão (“MONICA BH”) e solicitar-lhe a coronariografia o mais rápido possível.

Nesse caso, a artéria culpada provavelmente será a coronária direita.