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Homem, 43 anos, dor precordial de moderada a forte intensidade

10 setembro de 2018

A) A.M.S., 43 anos, sexo masculino, admitido na sala de emergências referindo dor precordial de moderada a forte intensidade, piorada com a respiração e aliviada quando assume a posição ortostática. Menciona que não conseguiu dormir bem naquela noite, precisando ir para a sala de estar, sentar-se na cadeira e inclinar o tórax sobre a mesa para conseguir cochilar um pouco. É tabagista desde jovem (30 anos/maço), negando hipertensão arterial e diabetes mellitus.

B) Exame físico:
RR 2T. PA: 135/70 mmHg. FC: 85 bpm.
Murmúrio vesicular diminuído difusamente (+/4), sem ruídos adventicios.
Abdome flácido, indolor à palpação, sem massas ou visceromegalias palpáveis.
MMII sem edema, pulsos normopalpáveis.

C)Bioquímica sanguínea:
Hematimetria: 5,42 milhões
Hemoglobina: 16 g/dL
Hematócrito: 45,7%
Leucócitos: 11.900/mm3
(Basófilos-0; eosinófilos:3; bastões:0; segmentados:67; linfócitos:25 e monócitos:5
Plaquetas: 193.000/mm3
PCR: 11,3
Troponina: 0,01
CK-MB: 1,2

D)Radiografia do tórax (PA e perfil esquerdo):
Área cardíaca com diâmetros normais;
campos pleuropulmonares sem alterações.

E) EcocardioDöppler colorido transtorácico:
Sem alterações.

F) ECG:
Ritmo sinusal
FC: 85 bpm
Eixo a + 60*
Supradesnivelamento do segmento S-T (côncavo) em paredes lateral alta, inferior e anterior;
Infradesnivelamento do segmento S-T em aVR e V1;
Não foram observadas imagens-espelho.

PERICARDITE AGUDA

A inflamação do pericárdio ocasiona dor precordial que pode confundir-se com o infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento S-T (IAM CSSST), tanto pelos seus sintomas quanto pelas alterações agudas no segmento S-T.
Entretanto, algumas diferenças devem ser enfatizados para o adequado diagnóstico diferencial, vez que as condutas são bem distintas:
1) O supradesnivelamento do segmento S-T na pericardite tende a ser côncavo;
2) a pericardite não acomete uma só parede, (como ocorre no IAM); há acometimento difuso e, assim, o segmento S-T mostra-se supradesnivelado em várias paredes, usualmente em todas elas, poupando as derivações aVR e V1;
3) não há imagens-espelho (ocorrência comum e esperada no IAM);
4) pode surgir infradesnivelamento do segmento P-R (não é no intervalo P-R) em várias paredes, sobretudo nas paredes inferior e anterior, com supradesnivelamento do mesmo em aVR.

A principal etiologia da pericardite aguda é viral, podendo também ocorrer como uma extensão do infarto agudo do miocárdio [nesta situação é chamada de “pericardite epistenocárdica”].
O tratamento da pericardite aguda é feito com anti-inflamatórios, tais como a aspirina e a colchicina, sabendo-se que no infarto do miocárdio é contraindicado o uso de AINEs.