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Mulher, 54 anos, hipertensa, tabagista (41 anos/maço)

Mulher, 54 anos, hipertensa, tabagista (41 anos/maço)

08 maio de 2018

Mulher, 54 anos, hipertensa, tabagista (41 anos/maço), submetida a ressecção de tumor de reto há 8 anos (complementada com radioterapia e quimioterapia).

Há 15 dias apresentou dor precordial de prolongada duração (início à meia-noite e alívio às 14h00 do dia seguinte) o que a fez procurar a UPA, onde foi medicada e liberada para o domicílio.

Não conseguiu marcar consulta com cardiologista desde então…

As dores no peito retornaram, agora em episódios mais rápidos (durando de 5 a 10 minutos), aos esforços pequenos, até duas vezes ao dia. Ontem, por volta das 17h00, procurou a emergência do hospital com dor precordial intensa, obtendo alívio com o uso de morfina, nitroglicerina endovenosa, AAS, clopidogrel, metoprolol e ieca.

Infarto do miocárdio com supradesnivelamento do segmento S-T seguido de angina pós-IAM.

Essa paciente foi acometida por infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento S-T há quinze dias. Naquela ocasião ela deveria ter sido submetida a trombólise química ou a angioplastia com inserção de stent, no prazo máximo de doze horas do início dos sintomas (Delta T < 12 h).

Ela acabou sendo liberada para o domicílio e passou a apresentar episódios de angina de peito pós-IAM, condição clínica instável, passível de sérias complicações, como arritmias fatais.

Ela acabou sendo reinternada com a piora clínica e foi constatada disfunção sistólica grave do ventrículo esquerdo, ocasionado pela necrose de toda a parede anterior do coração.

Sendo cardiologista, enfatizo a necessidade dos médicos emergencistas estarem preparados para identificar o quadro clínico do IAM e estarem aptos para a adequada interpretação do traçado de ECG visando o tratando precoce dessa condição. A abordagem rápida e precisa salva vidas e evita funestas complicações, tais como a insuficiência cardíaca crônica.