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Mulher, 91 anos, hipertensa e dislipidêmica

22 maio de 2018

Mulher, 91 anos, hipertensa e dislipidêmica, em uso de losartan e sinvastatina, com histórico de mastectomia esquerda há cinco anos (submetida a radioterapia e a quimioterapia complementares).

Há cerca de dois anos apresenta dispneia aos esforços e edema progressivo nos membros inferiores.

Há uma semana foi atendida em consultório com quadro de trombose venosa em perna direita e relatando expressiva piora da dispneia. Notaram-se hipotensão arterial (95/70 mmHg), taquipneia e ortopneia.

A)Exame físico:
Ritmo irregular, FC média: 100 bpm. SS +++/6 em foco mitral.
MV diminuído e crepitações em ambos os terços inferiores dos hemitorax.
Abdome flácido, fígado palpável a dois dedos do rebordo costal direito (com desconforto).
MMII com edema (+++/4), frio, mole e indolor.

B)ECG
Ritmo de fibrilação atrial
FC média: 100 bpm
Eixo a – 50 graus
Bloqueio divisional anterossuperior esquerdo (BDASE)
Sobrecarga de ventrículo esquerdo.

C)Radiografia do tórax (em AP, no leito):
Cardiomegalia
Derrame pleural bilateral
Congestão venosa com inversão do padrão venocapilar pulmonar.
Derrame cisural à direita

D)Gasometria arterial:
(Com máscara de Hudson a 4 L/min)
pH: 7,29
p02: 78,1
pC02: 28,6
Bicarbonato: 14,1
p02/Fi02: 260,3

E)EcocardioDöppler colorido
Contratilidade global e segmentar preservadas
Hipertrofia concêntrica do VE
Aumento biatrial
FE (Teichholz): 74%
Valva mitral espessada com insuficiência mitral moderada a grave
PSAP: 45 mmHg
Veia cava inferior congesta.

Síndrome da insuficiência cardíaca.

A paciente apresenta insuficiência cardíaca com fração de ejeção normal (ICFEN). Possivelmente houve descompensação clínica devido a possível embolia pulmonar associada, ao ritmo de fibrilação atrial persistente (no qual há decréscimo de cerca de 25 a 30% do débito cardíaco) e pela insuficiência mitral moderada a grave associada.

A paciente foi medicada com dobutamina em doses plenas, anticoagulada plenamente (heparina não-fracionada), furosemida e medidas de suporte ventilatório sob máscara de Hudson.
Houve necessidade também de pequenas doses de suporte com noradrenalina.

A despeito da gravidade do quadro clínico e da avançada idade, essa simpática nonagenária, que mora sozinha no quarto andar de um prédio sem elevador, autônoma e independente, apresenta progressiva melhora. Toda a equipe acredita na sua recuperação e posterior alta da unidade cardiointensiva para a enfermaria e, depois, para o seu domicílio.