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O Sr. Antônio, o médico e o cigarro

15 fevereiro de 2019

As filhas do Sr. Antônio chegaram com ele na emergência do hospital do Andaraí, no Rio de Janeiro, com muitas esperanças.

Ele tinha câncer de pulmão, que já havia se espalhado para o corpo e precisava ser internado: havia muito líquido no pulmão, estava com muita falta de ar e, quando respirava, sentia muita dor no peito.

Já o haviam levado a vários hospitais e batido com as caras na porta: não havia vagas.

Por isso, tiveram paciência até serem atendidos pelo jovem profissional de Minas Gerais, recém-formado, magro e atencioso. Solícito, o médico examinou o Sr. Antônio de cima a baixo, auscultou-lhe o pulmão, pôs a mão direita no seu tórax e pediu-lhe que dissesse várias vezes “trinta e três”, sob o olhar atento das mulheres. Ele confirmou que o Sr. Antônio precisaria ser internado e pediu que o procurassem no Hospital Pedro Ernesto, em Vila Isabel.

No dia seguinte foi internado na enfermaria de clínica médica, o líquido foi drenado e o Sr. Antônio experimentou sensível melhora.

Não tinha mais falta de ar. Parecia outro homem. A sua gratidão e a das mulheres para com o médico cresceu muito, sobretudo pelo carinho que ele dedicava ao pai.

Mas alguma coisa não estava direito: o Sr. Antônio não se sentia bem, estava ansioso, com pouco apetite e algo deprimido. Voltou a não dormir bem.

Ele disse ao médico que sentia muita falta do cigarro e que não valia a pena viver sem fumar no estágio de vida na qual chegara...

O Jovem doutor o entendeu e propôs uma solução inusitada: iria comprar dois cigarros, apenas dois, em todos os dias, para que ele fumasse em paz, mesmo internado.”

O semblante do Sr. Antônio iluminou-se de imediato...

O jovem médico esperou o final da tarde, quando o hospital estava mais vazio, atravessou a rua e comprou dois cigarros no varejo.

Voltou à enfermaria e, à sorrelfa, os entregou a ele.

- Sr. Antônio, não deixe que saibam ou vejam. Vá para o banheiro e fume o primeiro deles. Ficarei de guarda para o senhor. E, à noite, sem que percebam, fume o outro.

As lágrimas, a gratidão e o doce olhar dirigidos ao médico foram superiores ao tratamento paliativo feito naquele paciente em tempos que não voltam mais...